TRT-RJ indica que Flamengo teria culpa por tragédia no Ninho do Urubu

Joel Silva

, Destaque, Flamengo

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região lamentou, mas fez duras críticas ao Flamengo por conta da tragédia no CT Ninho do Urubu, que culminou com a morte de 10 atletas, deixando 3 feridos, um em estado grave. Em nota, o TRT-RJ afirmou que o MP-RJ tinha alertado em 2015, que o clube oferecia condições precárias aos atletas, inferiores aos adolescentes que cumprem medida socioeducativa no Departamento Geral de Ações Educativas (Degase).

A nota afirma também que, de acordo com a ação do Ministério Público, foram feitas diversas visitas ao CT Ninho do Urubu, constatando algumas irregularidades em relação a habitação. O documento ainda indicou que o rubro-negro tinha nos alojamentos diversos atletas sem a autorização formal dos pais. Confira a nota na íntegra:

NOTA DE PESAR – MORTES NO CT DO FLAMENGO

A Presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/RJ) manifesta profundo pesar pelas mortes ocasionadas pelo incêndio ocorrido no Centro de Treinamento Ninho do Urubu, do Flamengo, em Vargem Grande, na madrugada desta sexta-feira (8/2). O resultado do lamentável episódio foi de dez mortos e três feridos, entre eles adolescentes com idade entre 14 e 17 anos, alguns oriundos de outros estados, acalentando o sonho de um dia tornarem-se atletas profissionais.

O TRT/RJ ressalta que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro já havia ajuizado ação civil pública, em março de 2015, alertando que as “precárias condições oferecidas pelo Clube de Regatas do Flamengo a seus atletas são inferiores até mesmo àquelas ofertadas aos adolescentes que cumprem medida socioeducativa de semiliberdade em unidades do Departamento Geral de Ações Educativas (Degase), o que revela o absurdo da situação”.

Ainda de acordo com a ação ajuizada, o Comissariado de Justiça da Infância e Juventude realizou reiteradas visitas ao Centro de Treinamento Ninho do Urubu, constatando sinais de irregularidades quanto à habitação, além de grande precariedade no que se refere aos colchões utilizados pelos adolescentes. O documento relatou, ainda, que vários adolescentes permaneceram no Centro de Treinamento sem autorização formal dos pais.

No âmbito da Justiça do Trabalho da Primeira Região, o Programa de Combate ao Trabalho Infantil e Estímulo à Aprendizagem, que tem como gestor regional o desembargador José Luís Campos Xavier, e o Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho – Trabalho Seguro, que tem como gestor regional o desembargador Alexandre Teixeira de Freitas Bastos Cunha, somam-se à Presidência nesta nota de pesar, reafirmando o compromisso da Justiça do Trabalho com a garantia de condições de trabalho dignas e legais para jovens e adultos.

Na oportunidade, o TRT/RJ também reforça a importância da Justiça do Trabalho em um país no qual não são asseguradas as mínimas garantias constitucionais.

https://esporte24horas.com.br/2019/02/08/taxista-presta-solidariedade-e-propoe-corridas-gratuitas-a-familiares-das-vitimas/