Ex-técnico de Ganso afirma: “ninguém esquece de jogar bola”

A vitoriosa geração dos “meninos da vila” que levaram o Santos até o Mundial de Clubes de 2011 e que colheu frutos até 2012 com o título da Recopa não nasceu da noite para o dia.

Desde 2008, ano após ano, o clube de São Paulo foi acumulando joias e promessas da base e contou até mesmo com o retorno de uma estrela que já havia brilhado na Europa.

O primeiro a subir para a equipe titular foi a nova contratação do Fluminense. Paulo Henrique Ganso chegou na equipe principal em 2008. Em seguida, em 2009, foi a vez de Neymar e André. Por fim, em 2010, o “peixe” conseguiu trazer as duas peças que faltavam. Robinho, com passagem pelo Real Madrid, e Dorival Júnior.

O técnico era uma aposta do Santos. Dorival vinha de duas excelentes temporadas com Coritiba e Vasco, em 2008 e 2009, respectivamente. Coube ao treinador a responsabilidade de fazer o novo time de promessas da base se tornar realidade. E ele conseguiu.

Naquele ano Dorival Júnior conquistou o Campeonato Paulista e o título da Copa do Brasil. Conquista essa que levou o Santo até a Libertadores no ano seguinte, onde também levantou a taça de campeão com os Meninos da Vila, mas, dessa vez, sem a ajuda de Dorival.

O técnico já havia cumprido o seu papel. Mostrou para o Brasil e para o mundo que Neymar e Ganso não eram apenas promessas e os transformou em realidade.

De bem com o gol

Técnico treinou Neymar e Ganso no auge da carreira dos atletas no Santos. (Foto: Divulgação/Santos)

Foi nas mãos de Dorival Júnior que Paulo Henrique Ganso teve o melhor momento na carreira. Juntos, o treinador e o camisa 10 colecionam 43 jogos com 28 vitórias, quatro empates e apenas onze derrotas.

E não é só no retrospecto da equipe do Santos que eles guardam boas recordações. Foi com Dorival que Ganso mais fez gols em uma única temporada: foram 13 vezes balançando a rede. Além disso, o novo reforço do Fluminense também fez 12 assistências naquele ano.

Caminhos opostos

De lá pra cá técnico e jogador seguiram caminhos diferentes. Após a saída de Dorival do Santos, ele e Ganso se enfrentaram apenas seis vezes nos últimos nove anos. O treinador triunfou em três vezes contra apenas duas do camisa 10.

Apesar de estar afastado do comando desde o fim do ano passado, Dorival mostra que está atento ao mercado e mostra o carinho e confiança que tem no jogador.

“É um grande jogador, é um jogador diferenciado. Sempre falei isso, ainda tem muito potencial para contribuir para o futebol. Ele dá cadência ao meio-campo, consegue jogar nos espaços vazios do campo, faz a bola chegar com qualidade nos pés dos companheiros e chama para si a responsabilidade em campo. O Ganso é um jogador que não se incomoda com o peso e a responsabilidade sobre ele. Com certeza chega para acrescentar muito ao time do Fluminense. Ninguém esquece de jogar bola”, disse Dorival Junior.

O ex-treinador do Santos ainda não escolheu qual caminho vai trilhar em 2019. Após o fim de contrato com o Flamengo o técnico parece não ter planos recentes para a carreira. Ainda assim, deseja sorte para o reforço do tricolor.

“Ele vai ter que se adaptar um pouco na questão da intensidade do jogo e dos deslocamentos dentro de campo. Acredito que o Ganso tem tudo para evoluir nestes aspectos. Se conseguir vai ser um baita reforço para o Fluminense, vai ser útil demais para o time e vai se destacar. Eu tenho certeza que o Ganso pode encontrar um novo caminho na carreira e a minha torcida é pra que isso aconteça.”

Passagem pelo Fluminense

Dorival Júnior conversa com os jogadores do Fluminense

Dorival Júnior comandou o Fluminense em 2013 (Foto: Divulgação | Fluminense)

Ainda não da pra dizer como será o rendimento e o desempenho de Paulo Henrique Ganso no Fluminense. No entanto, espera-se que a relação seja mais duradoura do que a do treinador.

Dorival Junior treinou o Fluminense em 2013 com o objetivo de salvar o tricolor do rebaixamento. Comandou a equipe por cinco jogos e, apesar de não ter um desempenho ruim, a principio não foi o suficiente. O técnico conseguiu três vitórias, um empate e uma derrota, mas o verdadeiro herói da permanência do Fluminense foi a Portuguesa.

Isso porque, naquele ano, a Lusa perdeu pontos por uma escalação irregular do meia Heverton. Com isso, o time de São Paulo foi rebaixado no lugar do tricolor carioca. Dorival, no entanto, mostra que também espera uma boa passagem de Ganso pelo Fluminense.

“É um 1o dos antigos Ele tem que jogar por dentro. Claro, o Ganso é inteligente o suficiente para preencher os espaços do campo e participar da marcação, mas um jogador como ele precisa estar mais perto da área. O Fernando Diniz vai saber explorar o melhor do Ganso. Sabe que é difícil encontrar jogadores como ele, de altíssima técnica e passe preciso. Com o Ganso no time, os companheiros vão marcar mais, correr e abrir espaço para que ele trabalhe a bola com qualidade. Ele é um grande profissional, uma ótima pessoa. Eu tenho certeza que vai dar tudo certo”, finalizou o treinador.

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