O Maraca é nosso? Mentira!

“Quem casa quer casa, eu não tenho onde morar, vou viver como índio até melhorar”. A letra do samba da São Clemente no carnaval de 1985 fala sobre a falta de moradia, o déficit habitacional que até os dias de hoje existe no Brasil. E quem não sonha com a casa própria, um canto para chamar de seu. Alguns clubes de futebol vivem o mesmo drama, até mesmo os que poderiam ostentar luxuosas e confortáveis “mansões” para os seus torcedores. Porém, a realidade é completamente diferente.

Enquanto isso…

Itaquerão lotado em jogo do Corinthians

O “Lulão” é a casa do Corinthians (Foto: Divulgação | Corinthians)

O próprio Corinthians, clube com a segunda maior torcida do país, passou décadas perambulando de casa em casa. Fez do Pacaembu seu lar temporário até que uma estrela vermelha solitária facilitou sua vida e, finalmente, o projeto saiu do papel. Uma obra cara, diga-se de passagem. Com suspeita de superfaturamento, desvio de dinheiro e muita

Maracanã lotado em jogo do Flamengo

Há décadas, o torcedor flamenguista alimenta a ilusão de ser “dono” do Maracanã (Foto: Divulgação | Flamengo)

força política. Com isso, o maloqueiro torcedor vibrou com o sucesso do programa “Meu estádio, minha vida”.

Era inadmissível ver o Timão sem um estádio próprio, assim como é inacreditável que o time com a maior torcida do país não tenha uma casa. A falta de vontade política, dinheiro, projetos mirabolantes, promessas e promessas que o torcedor ouve a cada eleição.

E tenho dito!

Wilson Witzel e Rodolfo Ladim durante evento

O Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, tenta empurrar para algum clube a administração do Maracanã. E quem está de olho? (Foto: Divulgação | Flamengo)

Não adianta o flamenguista dizer que a casa do Mengão é o Maracanã. Não é! O Flamengo não lucra jogando no estádio, mesmo levando quase 50 mil torcedores na estreia do Cariocão. Isso é uma vergonha. Imagine uma Portuguesa disputando seus jogos no Canindé para 50 mil torcedores! O clube não teria que vender bolinho de bacalhau para pagar as dívidas infinitas que possui. Ter uma casa é fundamental mesmo que o preço a pagar implique em sacrificar outros setores.

Já imaginou o Vaticano sem a Igreja de São Pedro? Não dá para o Papa perambular por aí, alugando Igrejas para fazer suas Homilias. A comparação pode ser exagerada, mas a busca por um estádio precisa se tornar uma verdadeira obsessão para os cartolas rubro-negros, botafoguenses e tricolores. Já visitei inúmeros estádios ao redor do mundo, de clubes grandes e pequenos, todos eles orgulhosos do seu patrimônio. É a fonte de renda, o bem mais valioso.

Nunca serão!

O torcedor chamar o Maraca de estádio do seu clube é cômodo. O carioca culturalmente sempre se encostou no Estado, na cultura do funcionalismo público e na falta de empreendedorismo. Hoje, o Flamengo rasga dinheiro jogando no Maraca. No primeiro jogo da Taça GB, contra o Bangu, mais de 46 mil abnegados torcedores lotaram o estádio. Entretanto, o movimento gerou uma renda de R$ 1.067.172,00. Imagina esse mesmo público durante os jogos do Mengão na Libertadores ou no Brasileirão.

A torcida do Flamengo vai, isso é um fato. Mesmo que o time decepcione na reta final. O mais absurdo nisso tudo é que o rubro-negro arrecadou mais de R$ 1 milhão e ficou com apenas R$ 13.684,90, o que equivale a 1,2% da renda. Vale a pena jogar no Maracanã? Se realmente a casa rubro-negra fosse lá, o clube não teria que pagar para morar, ou melhor, para jogar.

Use com moderação

Jogo do Fluminense lotado

O Fluminense busca um Plano B para 2019, mas segue refém do contrato com o Consórcio Maracanã (Foto: Divulgação | Fluminense)

Imagine o Fluminense que conseguiu levar apenas seis mil torcedores ao estádio na primeira rodada. Em 2018, o tricolor teve um prejuízo total de R$ 4,5 milhões jogando no Maraca. Jogar no Mário Filho com torcida lotada é igual ter um carro luxuoso para andar nas ruas do Rio. Todo mundo olha, mas ninguém sabe o custo que dá manter um carro numa cidade com ruas esburacadas, seguro à beira morte, risco de assalto, IPVA de deixar os cabelos em pé.

Ao analisar o documento do jogo do rubro-negro, as despesas ficaram em torno de R$ 1.032.828,48, um absurdo. E jogar na Ilha do Urubu, na Gávea ou em Volta Redonda é uma solução paliativa. Não acho que os clubes devam abandonar o Maraca a própria sorte. Porém, o estádio precisa ser usado com moderação porque senão os clubes vão adoecer financeiramente. Não podem se tornar reféns e escravos da Federação e suas taxas absurdas e abusivas.

Preocupem-se com o futuro!

Estádio Nilton Santos lotado

O Botafogo é inquilino da Prefeitura do Rio desde 2014 (Foto: Vitor Silva | Botafogo)

Os clubes precisam ter ambição de clube grande. Enquanto Flamengo, Vasco e Botafogo não tiverem o seu estádio, vão continuar sustentando e sendo explorados, fato. E não venha dizer que o alvinegro tem estádio. Mentira, tem concessão, é locatário. Já escrevi aqui que sou contra os clubes disputarem os jogos do Cariocão em outros estados, mas é uma forma de fugir da exploração e colocar uma grana no bolso.

Não é uma solução, é o jeitinho brasileiro de empurrar o problema com a barriga, jogar para a frente. Que as novas gestões apresentem projetos concretos para construção de suas arenas, estádios, e parem de tratar o torcedor como idiota. Que busquem apoio da iniciativa privada, corram atrás de soluções e ofereçam aos seus torcedores um lar ou “vão viver como índio até melhorar”. Você acha que seu time terá um estádio a curto prazo? Bate uma bola lá comigo no meu twitter @alexaraujo_75 ou pelo Instagram: @alexandrearaujo75

Pinceladas do Rurú

ESTRUTURA: Enquanto não se reforça dentro de campo, a dirrétoria tricolor se prepara para apresentar algumas melhorias no Centro de Treinamento do Clube.  A sala de imprensa, prevista para ser inaugurada em abril, e que também servirá para os jogadores não entenderem os conceitos modernos do técnico Fernando Diniz, contará ainda com um auditório para 50 pessoas. O local será batizado com o nome do jornalista Paulo Julio Clement, saudoso companheiro do Fox Sports, que morreu no acidente aéreo com a delegação da Chapecoense. Justa homenagem.

FIASCO: Fim de um projeto estapafúrdio. O Fluminense anunciou essa semana que não dará prosseguimento a lastimável parceria com o Samorin, clube da segunda divisão da Eslováquia. Além de ter gasto uma grana, o tricolor não conseguiu internacionalizar a marca, não teve intercâmbio de jogadores, e não alavancou patrocínios para o clube. Não teria sido mais fácil emprestar jogadores para o futebol do interior paulista ao invés de se aventurar pelo leste Europeu? Um fracasso total.

CALMA COM O PAPA! A torcida do Corinthians bombardeou as redes sociais de críticas o meia Sornoza, após o empate com o São Caetano na estreia do time no Paulistão.  “Sonolento” e “preguiçoso” foram alguns adjetivos carinhosos usados pelos torcedores. Além de xingar de atacar o equatoriano, os corintianos ainda despejaram sua ira sobre o volante Richard, mais um reforço vindo do tricolor carioca.  E essa insatisfação com reforços vindos do Fluzão não vem de hoje. A torcida do timão já pegou muito no pé do zagueiro Henrique e do volante Douglas. Se o alvinegro do Parque São Jorge tiver interesse em mais jogadores, o clube oferece “ótimas” opções. É só passar e levar.

TETA! A Seleção Brasileira deu uma baita sorte no sorteio dos grupos da Copa América. Jogaremos a primeira fase contra Venezuela, Bolívia e Peru. Se tudo der certo e não dermos mole, passaremos em primeiro do grupo e só jogaremos no Maracanã na grande final. Caso o Brasil termine em segundo desse grupo- o que é improvável-, a seleção jogará as quartas no Mário Filho. Detalhe: não vencemos a competição desde 2017. Tá na hora de levantar o caneco em casa.

DEUSA DA PASSARELA: A Beija-Flor de Nilópolis comemora seus 70 anos com uma exposição que conta a história da maior campeã da história do Sambódromo. A mostra resgata fotos e artigos históricos da agremiação, imagens, áudios inéditos, fantasias usadas em desfiles marcantes e uma réplica do Cristo mendigo, alegoria censurada no carnaval de 1989, no antológico desfile do carnavalesco Joãozinho Trinta. A exposição acontece no Centro de Artes Calouste Gulbekian, na rua Benedito Hipólito, ao lado da Marquês de Sapucaí e em frente ao Terreirão do Samba. A mostra é patrocinada pela Prefeitura do Rio e pode ser vista até 22 de março, com entrada gratuita.

Arte Beija-Flor

Beija-Flor recebe justíssima homenagem. Vale conferir! (Foto: Divulgação | Beija-Flor)

Um fardo chamado Estadual