Ex-joia do Botafogo deseja chance em grande clube em 2019

Cria das categorias de base do Botafogo, Luis Guilherme era apontado como o sucessor de Jefferson e visto com potencial para ser o camisa 1 da Seleção Brasileira no futuro. Jogou torneios pelas seleções de base, treinou em clubes da Europa (Arsenal, em 2007, Manchester City, e Lyon, em 2011), no entanto, foi perdendo espaço e acabou sendo emprestado para equipes menores (Boavista, Bangu e Bonsucesso). Em 2015, acabou não renovando seu contrato com o Alvinegro Carioca. Em entrevista ao Esporte 24 Horas, o atleta, atualmente com 26 anos, contou o que aconteceu na ocasião, que fez com que ele acabasse deixando o Glorioso.

“Eu não sei dizer ao certo o que aconteceu. Eu sei que o meu contrato se encerraria em 2015, eu tinha a expectativa de renovar, mas, infelizmente, isso não aconteceu. Talvez, algumas coisas que poderíamos citar, acho que a quantidade de empréstimos e lesões que eu tive. Eu não consegui ter uma sequência longa nos clubes que eu fui emprestado e também não tinha muito espaço dentro do clube.”

O arqueiro contou que após deixar o Botafogo, não teve proposta de outros times grande e acabou indo para o Villa Nova de Minas Gerais.

“Após a minha saída do Botafogo, na verdade não tive outras oportunidades. A que eu tive, se não me falha a memória, foi em dezembro de 2015, quando eu fui para o Villa Nova de Minas Gerais. Lá eu joguei o primeiro semestre de 2016, mas eu não tive uma sequência, também.”

Europa

Luis Guilherme durante passagem pelo Lyon, da França

Luis Guilherme ao lado de Michel Bastos durante estágio no Lyon (Foto: Arquivo Pessoal | Reprodução Facebook Luis Guilherme)

O goleiro revelou que houve sondagens de clubes europeus quando ainda estava no Botafogo. O atleta destacou que havia o interesse dele em ir para o Velho Continente e o do Botafogo em negociá-lo, no entanto, nenhuma proposta oficial chegou ao Glorioso.

“Foram coisas muito difusas na época. Não tinha a completude de “olha, nós vamos dar X para levar o Guilherme, nós vamos dar Y para levar o Guilherme”. Havia o interesse, havia o meu interesse, interesse por parte do clube, mas por alguma razão que eu não sei explicar, essas negociações não iam adiante. Hoje eu me sinto muito frustrado em relação a isso, porque talvez a minha carreira estivesse em um rumo completamente diferente. Eu acho que a preferência de estar no Brasil não seria algo fechado. A preferência de estar no Brasil foi que não surgiu nada de concreto, de “olha, nós vamos pagar a multa X, vamos levar o Guilherme em um contrato de tantos anos”, e essa concretude de uma proposta não ocorreu.”

Pausa

Luis Guilherme em sala de aula

Luis Guilherme aproveitou o período longe dos gramados para obter o diploma de psicologia (Foto: Arquivo Pessoal | Reprodução Facebook Luis Guilherme)

Ainda na época de Botafogo, Luis Guilherme começou a cursar psicologia. Após a passagem pelo Villa Nova-MG, o goleiro não recebeu nenhum convite atrativo de algum clube. Por conta disso, optou em ficar parado durante seis meses e aproveitou para terminar a faculdade.

“Eu fiquei seis meses parado. Em 2016, eu fui para o Villa Nova-MG. Tinha oportunidade de retornar para o próprio Villa Nova, mas tinham pendências financeiras do próprio clube na época. E havia também, junto com isso, a oportunidade de encerrar a minha faculdade. Como não tinha aparecido naquele momento nenhuma outra proposta interessante e que desse um bom retorno financeiro, eu optei por ficar seis meses no Rio e terminar a minha faculdade.”

Luis Guilherme pontuou em que a formação acadêmica em psicologia o ajuda na carreira de jogador de futebol. O atleta se divide entre o gol e o consultório.

“A formação me ajuda para lidar com as minhas questões pessoais, mas também com questões de grupo. Eu tento colocar em prática um pouco do que eu sei e também faço uso do que eu aprendi no meu dia a dia. Quando posso, eu atendo, por dois motivos. O primeiro é por causa dessa dificuldade, dessa irregularidade de retornar ao mercado. Eu tento alinhar alguns atendimentos com a agenda de futebol, que a gente sabe que quando você está em um clube pequeno, ou com uma agenda muito irregular, você tem dificuldades para estar trabalhando. Então, é uma profissão, mas sido tendo o futebol como carro chefe. A psicologia, para mim, ou a faculdade em si, formação acadêmica em si, sempre foi um projeto de longo prazo, para quando eu encerrasse a minha carreira. Mas os planos mudaram, a minha realidade hoje, em relação à perspectiva de futebol é outra, e eu tenho que me adaptar.”

Sequência e dificuldades

Luis Guilherme durante sua apresentação no America

Após deixar o Botafogo, Luis Guilherme se tornou um andarilho do futebol (Foto: Divulgação | America)

Em 2017 e 2018, Luis Guilherme vem conseguindo ter uma sequência, algo que não acontecia em outros clubes. O atleta vem se destacando na segundona carioca. Na temporada passada, atuou pelo São Gonçalo EC; já nesta, teve uma breve passagem pelo America-RJ e logo após retornou ao time que defendeu no ano anterior.

“Nesses últimos anos de 2017 e 2018, eu conseguir ter o que eu não tive em outros clubes, que foi sequência de jogos, ritmo de jogo. Eu tive 50 partidas disputadas nesses dois anos, ou mais, e pude ir bem. No ano passado, eu fui o melhor goleiro da Copa Rio, um dos destaques do Carioca. Também me destaquei este ano. Apareceu uma proposta e no final a coisa não andou também. Enfim, questão do clube. Mas além dessa proposta, não tiveram outras.“

O goleiro comparou a experiência vivida no Botafogo, um clube grande, com a de agora, em clubes de menor expressão. O arqueiro falou das dificuldades encaradas nesta mudança.

“Em primeiro lugar é o calendário. Os clubes que eu joguei, tanto a nível estadual, de primeira ou segunda divisão, enfim, eles não tiveram um calendário longo, alinhado com algo perto do Campeonato Brasileiro. Essa foi a primeira dificuldade. Segundo é a disparidade financeira, tem uma diferença muito grande, e também a questão estrutural. Muitos clubes não têm, ou não possuíam ou possuem a mesma estrutura que o Botafogo, como um clube grande, tem.”

Esperança e 2019

Luis Guilherme ao lado de Jefferson, Renan e Luis Paulo

Destaque na base, Luis Guilherme treinou ao lado de Jefferson nos profissionais do Botafogo (Foto: Divulgação | Botafogo)

Aos 26 anos, Luis Guilherme ainda tem muitos anos de futebol pela frente. Perguntado se ainda tem esperanças em atuar pro um clube grande, o goleiro declarou que este é o motivo de seguir jogando.

“É o que me mantém atuando. Eu trabalho nessa esperança de jogar um Brasileiro, uma Libertadores, uma Copa do Brasil. De poder disputar competições internacionais boas. Eu acredito que sim. Eu sei que é difícil, existem alguns fatores que pesam. Um deles é a cultura que se tem aqui de altura. Certas pessoas acreditam que eu não me enquadro nesse padrão estabelecido. Mas eu acredito que tenho qualidade para chegar lá, mas eu tenho que mostrar. Mostrar dentro de campo, sem isso não tem como ter expectativa nenhuma, fica tudo no campo da ideia.“

E o goleiro pretende alcançar essa meta já em 2019 e, de quebra, mostrar para todos que não é apenas mais uma promessa que não vingou no futebol.

“Em 2019, eu pretendo continuar com essa crescente em termos de rodagem e regularidade que eu tive nesses dois últimos anos, para conseguir mostrar que eu não sou só uma promessa que não vingou. Mas isso é uma coisa que a gente só desconstrói no campo. E, quem sabe, ir galgando aí, conseguir disputar uma competição nacional, ir me destacando aos poucos, para quem sabe conseguir uma carreira fora ou consolidar a minha carreira aqui no Brasil mesmo.”

Mágoa

Luis Guilherme durante treino do Botafogo

Luis Guilherme fez sua primeira partida como profissional pelo Botafogo (Foto: Divulgação | Botafogo)

Apesar de não ter tido chances no Botafogo nem o contrato renovado, Luis Guilherme afirmou não ter mágoa do clube. Pelo contrário, mostra gratidão ao Glorioso. No entanto, o goleiro confessou pensar todo dia em como teria sido se tivesse tido oportunidades no time principal do Alvinegro Carioca.

“Sempre digo que o Botafogo foi um clube que me recebeu pequeno e me entregou um adulto, um homem. Eu acho que seria muito leviano da minha parte dizer que existe uma mágoa contra A, B ou C. A gente entende que o futebol é muito complexo e estar em uma posição de tomar uma posição, de definir certas coisas, qual goleiro vai jogar, quem vai ser dispensado, quem vai ser emprestado ou o contrato vai ser renovado, são realidades na qual eu não tenho propriedade para dizer, porque nunca vivenciei isso. Na verdade, eu sempre estive sujeito a essas ações. Mas não há uma mágoa contra ninguém. Talvez, a única mágoa que eu tenho, e aí é uma questão pessoal, é de não ter tido a oportunidade de jogar um jogo sequer, para pelo menos não morrer com uma dúvida. Essa dúvida de se teria sido bom, se daria conta do recado ou não. Isso é uma questão que paira sobre mim todo dia, sempre que eu penso nesse caso”, encerrou.

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