Ex-técnico de Fla, Flu e Bota recebe convite do Qatar para a Copa América

Um dos treinadores brasileiros com mais tempo no mercado, Arthur Bernardes é um estudioso orgulhoso. Afinal, o técnico de 63 anos foi um dos pioneiros no uso de métodos alternativos no futebol, no fim da década de 80. Apaixonado por ciência desportiva, psicologia e até filosofia, Arthur não abre mão de usar estratégias diferenciadas nas equipes que treina. Apesar de ser um treinador à frente do seu tempo, Arthur não conseguiu se consolidar no mercado nacional.

Mesmo que tenha passagens importantes por Flamengo, Fluminense, Botafogo, Atlético-MG, Fortaleza e Atlético-PR, Arthur Bernardes só conseguiu se consolidar fora do país. Os excelentes trabalhos em Angola, Coreia do Sul e, principalmente, no Mundo Árabe, garantiram ao treinador de 63 anos o convite para ser o observador técnico da seleção do Qatar na Copa América de 2019. Apesar de tentadora, a chamada não mexe com o treinador, que acredita que ainda tenha lenha para queimar.

“Na verdade, eu ainda me sinto muito ativo para me retirar do campo. Sinto que ainda tenho algum tempo para envolver alguns profissionais que estão chegando num novo modelo de trabalho. E eu ainda tenho possibilidade de trabalhar fora do país. Então, eu ainda não estou largando o campo. Como treinador, eu me sinto extremamente preparado hoje, haja vista que o Felipão, com 70 anos, conseguiu ser campeão brasileiro, com um trabalho extremamente sólido, quebrando alguns preconceitos”, disse Arthur Bernardes.

Arthur tenta entender rejeição no futebol brasileiro

(Foto: Reprodução | Arquivo Pessoal)

Técnico Arthur Bernardes em curso da CBF: treinador é visto como revolucionário por colegas (Foto: Reprodução | Arquivo Pessoal)

Campeão nacional nos Emirados Árabes Unidos em 1997, Arthur Bernardes é visto como um dos grandes treinadores da história do país. Um dos grandes ídolos da história do Al-Wasl, o técnico também trabalhou no Dubai Club. Entretanto, o sucesso não se repetiu no Brasil. Mesmo que tenha passado por grandes equipes, Arthur não conseguiu engatar uma sequência.

O último trabalho de Arthur Bernardes em um time da elite do futebol brasileiro, foi no Sub-23 do Atlético-PR, em 2013. O treinador comandou a equipe no vice-campeonato paranaense naquela temporada. Além disso, foi responsável pela revelação de jogadores como Pablo e Santos, destaques do Furacão em 2018. Neste ano, Arthur Bernardes treinou o Nacional-AM, mas foi demitido após a eliminação para Rio Negro, nas quartas de final do estadual.

Apesar da modernização dos técnicos no Brasil, o treinador Arthur Bernardes acredita que ainda sofre resistência no mercado nacional. Mesmo que na entenda a rejeição, em um momento em que os clubes vêm buscando nomes com visões mais atualizadas do futebol, o técnico acredita que os dirigentes seguem com um pensamento mais antigo sobre o que é o esporte.

“Sinceramente, eu não sei. Mas o que eu posso dizer é que o novo causa impacto numa sociedade preconceituosa no país. Então, somos conduzidos pela cultura midiática para coisas que são muito bonitas, mas que não possuem tanto conteúdo. Então, quando você apresenta um trabalho com novas idéias, esbarra nas hierarquias e em conceitos antigos, fruto da falta de especialização de alguns dirigentes e empresários”, disse Arthur Bernardes.

Naturalização é processo natural

(Foto: Karim Jaafar | AFP)

Destaque no Qatar, meia Rodrigo Tabata se naturalizou para jogar na seleção árabe (Foto: Karim Jaafar | AFP)

Com a vasta experiência no futebol árabe, Arthur Bernardes foi visto como nome perfeito para ser o observador técnico da equipe do Qatar na Copa América de 2019. País-sede da próxima Copa do Mundo, os qataris vem buscando aumentar o nível da seleção com a naturalização de diversos atletas. Jogadores africanos, portugueses e até brasileiros vêm sendo convocados pela seleção árabe. Dentre os jogadores formados no Brasil estão o meia Rodrigo Tabata, destaque do Santos na década passada, e Ceará, revelado pelo Uniclinic e que está no país há oito anos. Para o treinador, as naturalizações serão ainda mais comuns nas seleções, não só no Qatar.

“Eu creio que a naturalização vai continuar a ser uma prática comum. A Espanha tem alguns jogadores naturalizados. A Alemanha também. Os alemães, aliás, gostam dos jogadores negros, por conta da potência física, da capacidade de salto. Eu, particularmente, gosto de jogadores com essa característica em funções específicas, como a lateral e o ataque, para puxar contra-ataques. Além disso, os jogadores africanos costumam trazer um sentimento diferente para o dia a dia. Pelo bom humor, o suingue. Eles melhoram muito o ambiente. Então, num mundo globalizado como o nosso, é importante somar essas características. Então, eu acho que a tendência seja naturalizar mesmo”, concluiu Arthur Bernardes.

Rodrigo Tabata deslancha no futebol do Qatar