Ex-goleiro abre o jogo sobre política, Romário, Edmundo e Flu de 2004

Perto de completar 15 anos, Flu de 2004 encheu seu torcedor de esperanças. Principalmente, pelos grandes nomes que compuseram aquele grupo. Por exemplo, Romário, Edmundo, Ramon e Roger. Mas, a temporada acabou sendo mais decepcionante do que memorável. Em entrevista exclusiva, ao Esporte 24 Horas, Danrlei conta como foi aquele ano no Tricolor. De acordo com o goleiro da época, apesar de campanhas medianas na Copa do Brasil e Brasileirão, a equipe foi até onde deu.

“O Fluminense tinha muitos bons jogadores. Era uma equipe muito capacitada. Mas, bons jogadores não significa bom time. Às vezes falta colocar no lugar certo para compor essa equipe. Ainda assim acho que o Fluminense fez um bom campeonato. Não chegou onde queríamos mas ficou em uma média boa no Brasileirão”, analisa Danrlei.

Apesar de toda qualidade, o grupo sempre foi questionado sobre o clima dentro do vestiário. Vale lembrar, os episódios de irritação de Edmundo ao ser substituído. Além do ultimato de Ramon, caso não fosse utilizado. Embora todos esses problemas revelados, Danrlei conta que nos bastidores não ocorria nada de anormal. Pelo contrário, o ex-goleiro afirma que o ambiente no Flu era natural de um grande clube.

“Bom, o ambiente era normal. Apesar de grandes atletas e nomes de muito peso. Óbvio, como em qualquer ambiente de futebol, teve lá suas rusgas e desentendimentos. Mas, nada diferente de qualquer outro clube. Se de fora, viram diferente, pode ser. Mas internamente o ambiente era natural de um grande clube de futebol”, revela.

Mais sobre ambiente entre os jogadores

Romário, Edmundo e Ramon durante evento no Fluminense

Romário, Edmundo e Ramon foram os grandes nomes do Fluminense em 2004 (Foto: Divulgação | Fluminense)

Mesmo que Danrlei revele um ambiente tranquilo. Na imprensa, se especulava muito o relacionamentos entre os jogadores. Os acompanhavam o dia a dia do Flu, declaram que as regalias de Romário não caiam bem dentro do grupo. Principalmente, suas constantes ausências nos treinamentos. Por outro lado, Danrlei conta que dentro de campo a união era indiscutível.

“Olha, para mim, nos treinamentos, o ambiente era normal. Atletas não tem que ser amigo o tempo inteiro e sim entrar em campo e produzir o melhor possível para equipe. Eles conversavam o necessário para a equipe crescer. Se eles tinham algum tipo de racha não era visível. Em campo, era todos tentando colocar o Fluminense na melhor colocação possível”, afirma.

Saída do Flu

Danrlei durante treino do Fluminense

Danrlei trocou o Fluminense pelo Atlético-MG (Foto: Divulgação | Atlético-MG)

Logo após passagem longa e vitoriosa no Grêmio, Danrlei chegou ao Fluminense. Mas, diante de Campeonato Carioca em andamento, teve que esperar sua oportunidade no banco de reservas. Assim que o Estadual chegou ao fim, o goleiro assumiu a meta tricolor, só que por pouco tempo. No final de abril, o arqueiro recebeu uma proposta melhor do Atlético-MG e deixou o clube carioca. De acordo com Danrlei, o motivo da sua saída foi salarial.

“Bom, sobre a saída do Flu, em primeiro lugar, o Atlético-MG pagou minha multa rescisória. Além disso, o salário foi praticamente dobrado. Por isso, conversei com o presidente e ele disse que não tinha condições de igualar as condições. Além de que todos os outros valores já estavam comprometidos com os outros atletas. Portanto, foi isso, o Atlético-MG pagou, me valorizou e decidi ir”, revela.

Na época, Fluminense tinha a parceria com a Unimed. Por isso, enquanto a empresa pagava os salários mais altos, a diretoria ficava com o restante do elenco. Fator que dificultou o poder de negociação de Danrlei com o presidente. Sem condições de cobrir o que o Atlético-MG ofereceu, restou ao Flu permitir a saída do goleiro.

“Minha saída se deu justamente pela questão salarial. O Fluminense não tinha capacidade para aumentar o que eu já recebia e decidi sair. Na oportunidade, a Unimed pagava os salários dos jogadores de maior renome. O resto do grupo ficava a cargo da diretoria. Por isso, o presidente não aumentou meu salário e fui para o Atlético-MG. Mas, pelo que eu lembre, o salário era pago em dia. Não sofri com esse problema”, conta Danrlei.

Poucas oportunidades  

Danrlei durante treino do Fluminense

Em 2004, Danrlei disputou apenas três partidas oficiais pelo Fluminense (Foto: Divulgação | Fluminense)

Embora tenha chegado com status de titular, Danrlei demorou até conseguir vaga no time titular. Mas, o ex-goleiro garante que tudo já estava planejado desde a sua chegada no Flu. Por isso, a frustração com o banco de reservas não ocorreu.

“Então, desde a minha chegada, estava tudo planejado. Os dois treinadores foram muitos corretos comigo. Eles disseram para mim trabalhar, pois, no primeiro momento, iriam terminar o Carioca com a equipe que começou jogando. Logo após, eles remontaria o time com os atletas que estavam chegando. Portanto, foi isso que aconteceu. Terminou o Estadual para o Fluminense e no jogo posterior estava como titular”.

Além disso, Danrlei conta como era o clima entre os goleiros do clube: “Normal. Até hoje, eu, Fernando Henrique e Kléber somos amigos. O ambiente era maravilhoso. De verdade, era um grupo de amigos. Os treinadores decidiram rodar a gente no time titular e assim foi feito”.

Vida política

Danrlei em seu gabinete em Brasília

Em 2010, Danrlei iniciou a carreira política pelo Estado do Rio Grande do Sul (Foto: Reprodução Twitter | Danrlei)

Desde que encerrou a carreira no futebol, Danrlei entrou na política. Recentemente, o ex-goleiro foi eleito Deputado Federal pelo Estado do Rio Grande do Sul. Com mais 100 mil votos válido, o ex-atleta vai reforçar ainda mais a bancada de esportivas na Câmara dos Deputados. Aliás, estimular o esporte é um dos objetivos de Danrlei na sua carreira política.

“Decidi entrar na política para estimular ainda mais o cuidado com o esporte. Então, enquanto eu tiver capacidade de fazer algo pelo esporte e pela educação eu vou fazer. Atualmente, tenho curso de gestão esportiva e curso de treinador. Portanto, o esporte está na minha vida e vai estar sempre. No momento, meu foco é melhorar através da política e do esporte a vida das nossas crianças e do país”, declara.

Gratidão ao esporte

Atualmente, focado na política, Danrlei se recorda com carinho de tudo que conquistou através do esporte. Por isso, ainda sem descartar um retorno ao futebol em cargo de gerência, o ex-goleiro espera promover melhoria na vida das pessoas por meio do estímulo esportivo.

“O esporte me deu tudo. A capacidade de trabalhar em equipe, de acreditar na mudanças e de enfrentar as dificuldades. Por isso, hoje, estou tentando melhorar a vida das nossas crianças através do esporte. O futebol me deu quase tudo na vida e agradeço muito por isso. Portanto, vou usar todas as armas para continuar oferecendo novas oportunidade através dele”, conclui.

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