Athirson se define como treinador: “Gosto de posse de bola”

Pode não parecer, mas, já faz 22 anos desde que Athirson estreou no profissional do Flamengo. São mais de 300 jogos com a camisa rubro-negra, o ex-lateral se tornou ídolo e cravou seu nome da história do clube. Atualmente, o ex-jogador tenta se inserir no mercado de treinadores do Brasil. Mas, ainda assim, não esquece das suas raízes. Em entrevista exclusiva, ao Esporte 24 Horas, Athirson abriu o jogo sobre a nova carreira e comentou polêmicas recentes em que esteve envolvido. Sobre o atual momento do time carioca, o ex-jogador afirmou não ter condições de opinar. Por outro lado, declarou todo seu amor pela instituição.

“Agradeço muito o carinho e foi muito bom os anos que passei no Flamengo. Somando tudo são 20 anos e mais de 300 jogos pelo clube. Portanto, tenho um amor e um carinho especial pelo Flamengo. Eu vivenciei momentos interessantes nesse período. Mas, sobre os dias de hoje, eu não posso opinar. Pois não estou no dia a dia do clube e não sei a realidade que os jogadores estão passando”, comentou Athirson. 

Ajuda do Fluminense

Athirson ao lado da comissão técnica do Fluminense

Athirson passou por um período de avaliação no Fluminense (Foto: Lucas Merçon | Fluminense)

Neste momento, o ex-jogador está envolvido no projeto de se tornar treinador. Athirson já conta com as Licenças A e B, da CBF, e pode treinar qualquer equipe do país. Porém, no mês passado, ele precisava cumprir 50 horas de AOT – Acompanhamento e Observação de Treinamento. Por isso, entrou em contato com Flamengo para pedir ajuda e não teve resposta. Sendo assim, um velho amigo surgiu, Paolo Angioni. O atual diretor executivo do Fluminense, abriu as portas do clube para Athirson. De acordo com o ex-lateral, a amizade entre eles foi fundamental e que seu passado rubro-negro nada influenciou no Tricolor.

“Na minha época, de Flamengo, tive a oportunidade de trabalhar com o Paulo Angioni. Ele é uma pessoa por quem tenho uma admiração muito grande. No período em que trabalhei com ele, cresci muito como profissional e pessoa. Além disso, a gente sempre manteve uma amizade. Portanto, quando precisei cumprir às exigências da CBF, entrei em contato com ele. Muito solícito, falou com o Marcelo Oliveira que foi receptivo à ideia. Então, desde o princípio, sempre fui muito bem recebido no Fluminense. Deixaram eu participar dos treinamentos e depois me passavam os feedbacks para estimular meu aprendizado e crescimento na função. Só tenho a agradecer”, revelou. 

O treinador Athirson

Athirson durante treino do Fluminense

Athirson inicia sua carreira como treinador de futebol (Foto: Lucas Merçon | Fluminense)

Logo após encerrar a carreira, Athirson teve experiência de comandar São Cristóvão, Flamengo do Piauí, Alecrim de Natal e Boca Raton – nos EUA. Na época, a CBF aceitava o curso de profissionalização da ABTF (Assossiação Brasileira de Treinadores de Futebol) como ingresso para treinar equipes. Como o ex-jogador já possuía, conseguia estar à frente desses clubes. Mas, atualmente, os níveis exigidos pela CBF são definidos como licenças e conquistadas através da participação nos cursos e entregas de estudos finais. Com todo o processo já concluído e a espera da nota, Athirson comenta o futebol que pretende implementar nas suas equipes.

“O modelo de jogo está relacionado ao elenco que você tem. Pois, precisa avaliar algumas características e a possibilidade de implementação. Mas, pessoalmente, eu gosto de modelo de jogo que favoreça a posse de bola e organização defensiva”, afirma o novo treinador. 

A função de treinador no futebol brasileiro tem suas particularidades. Primeiro, times montados basicamente focado no resultado. Segundo, constante troca no comando técnico. Tendo experiência como treinador e gestor, reconhece que a pressão da torcida aumenta o desequilíbrio nas decisões. Por isso, sugere que algo seja feita para melhorar esse cenário.

“A troca constante de treinador atrapalha muito na metodologia e assimilação do trabalho. Pois, cada profissional tem seus conceitos e princípios de jogo. Com essa rotação, acaba atrapalhando o entendimento por parte dos jogadores. Isso precisa ser mudado. Por exemplo, criar uma lei ou uma regra para que os clubes não possam contratar mais do que dois treinadores por temporada. Assim as coisas irão fluir de uma forma mais constante”, analisou. 

Polêmica no Tocantins

Em abril de 2017, Athirson recebeu o convite para treinar o Tocantis de Miracema. Na ocasião, a oportunidade parecia boa. Mas, dias depois  se transformou em uma grande confusão. O ex-jogador se apresentou alguns dias antes da estreia, fez um treino rápido e seguiu para o Rio de Janeiro, com a promessa de retorno na partida contra o Sparta, pelo Tocantinense. Mas, Athirson chegou no intervalo do jogo e disse que havia explicado para diretoria. Com todo esse clima, Athirson só ficou mais dez dias no clube e saiu. Hoje, o ex-jogador revela o que de fato aconteceu.

“A minha passagem pelo Tocantins foi mal explicada. Um empresário me convidou para treinar o time e eu aceitei. Na ocasião, a gente firmou um pagamento antecipado que não ocorreu. Outro ponto, eu tinha um processo judicial para comparecer dias antes do jogo e ele afirmou que não tinha problema. Na volta, a logística foi dificultada. Pois, não tinha voo direto para o Tocantins. Por isso, acabei chegando na hora do jogo”, compartilha. 

Por fim, o ex-jogador faz uma auto-crítica e reconhece não deveria ter feito daquela forma.

“Na minha inexperiência e vontade de ajudar a equipe, acabei aceitando os termos. Mas, foi erro meu. Não deveria ter aceitado dessa forma. Logo após, dei um prazo para ele cumprir o pagamento. Ainda assim não cumpriu e decidi deixar o clube. Mas, serviu de experiência. Hoje, eu só faço acordo através do meu advogado”, conclui. 

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