Dirigente afirma: “é possível recuperar o Vasco”

Joel Silva

, Destaque, Vasco

A situação financeira do Vasco não é a das melhores. Isso não vem de hoje e tampouco é novidade. A gestão do presidente Alexandre Campello chegou com o objetivo de mudar esse panorama. O responsável por essa missão, para muitos impossível, é o vice-presidente de controladoria, Adriano Mendes. Em entrevista exclusiva ao Esporte24Horas, o até então desconhecido dirigente, se apresenta ao torcedor vascaíno.

“O meu papel é fazer acontecer esses pilares estratégicos, focados mais na parte financeira. Eu formulei o planejamento financeiro e estratégico da gestão e sou próximo do Campello para que isso ocorra. Minha função é modernizar, profissionalizar e equilibrar o Vasco financeiramente”.

Apesar de todos os prognósticos econômicos feitos em relação ao Vasco serem pessimistas, Adriano acredita ser possível a recuperação do clube a curto prazo. O maior exemplo está no maior rival.

“É plenamente possível a recuperação do Vasco. Se eu conseguir desempenhos semelhantes a clubes do mesmo tamanho, eu recupero antes de 2020. A recuperação de um clube de futebol do tamanho do Vasco é muito rápida. É só olhar o Flamengo e o Palmeiras. Estavam quebrados a quatro anos atrás e hoje eles são o que são. Esse ano a gente deve diminuir a dívida em quase R$ 100 milhões. Começou com algo em torno de R$ 600 milhões e vai terminar com cerca de R$ 500 milhões. Isso com todas as dificuldades. Recuperando e negociando as dívidas, ninguém segura esse clube”.

Recentemente uma matéria produzida pelo Jornal O Globo, indicava que o otimismo da diretoria é delirante e que o clube está a beira de parar. A matéria foi publicada no dia 21 de agosto, aniversário de 120 anos do Vasco. Adriano Mendes respeitou os dados da matéria, mas não concordou com o a palavra “delirante”.

“Delirante ofende. Delirante passa a ideia de uma situação absurda. Na ocasião ele levou em consideração o aspecto político do clube. O que é necessário para melhorar, ele acredita não ser viável, não pelo tamanho do clube, mas sim pelo ambiente político. Respeito, mas não concordo. É delírio superar a bilheteria do Botafogo? É delirante ultrapassar o faturamento de sócios do Fluminense? Claro que não, o Vasco é muito maior”.

Ao chegar ao Vasco, Adriano Mendes precisou tomar ciência do território que estava pisando. A expectativa era encontrar um clube arrasado financeiramente. O que se viu foi algo bem pior.

“A gente se preparou para uma situação difícil. Mas a magnitude do problema nos assustou. Apesar de todo o estudo que eu fiz, ninguém tinha a noção do cenário que tinha chegado”.

Os problemas e as soluções

O Vasco possui uma dívida girando em torno de R$ 600 milhões. Metade disso é dívida tributária. Cerca de R$ 100 milhões são dívidas bancárias. O restante se resume a ações judiciais, aproximadamente 500 processos. Adriano explicou que o início da reestruturação é conseguir fechar bons acordos e principalmente honrá-los.

“Metade da dívida é tributária, mas está equacionado no PROFUT, para pagamento em 30 anos. Essa é mais tranquila, porque já está negociada. Eu tenho um valor retido na Receita Federal de R$ 44 milhões, que será usado para realizar o pagamento de uma parte desse valor. O grande problema são os acordos que não foram cumpridos, gerando dívidas ainda maiores”.

A renegociação da dívida feita pelo Vasco tem um padrão com todos os credores. Desconto sobre o valor total, prestações com valores menores, aumentando ao decorrer do tempo, conforme a recuperação do clube financeiramente. Adriano Mendes revelou que mais de 100 acordos judiciais já foram feitos e explicou a diminuição da dívida já nesse primeiro ano.

“Estou renegociando cerca de 100 ações cíveis, conseguindo valores menores e prazos mais alongados. As ações trabalhistas a gente está conseguindo reduzir para um terço do valor, em relação de quando nós assumimos. Lógico que tudo isso depende dos pagamentos, senão esse ciclo é retomado. Diminuímos em torno de 40% o custo para manter o clube e isso está sendo usado para pagar dívidas ou deixar de gerar novas”.

Adriano lembrou que ao não pegar adiantamentos com a TV, também está pagando dívidas.

“A cota da Globo desse ano é de R$ 95 milhões. Para o clube chegou apenas R$ 7 milhões. Portanto, R$ 88 milhões é dívida paga. Ao não pegar novos adiantamentos, naturalmente eu pago o valor em dívidas”.

Caso Wagner e pendências anteriores

Wagner durante treino do Vasco

Recentemente, Wagner deixou o Vasco para defender o Al-Khor-QAT (Foto: Divulgação | Vasco)

Com todas as dificuldades e ausência de receitas, o Vasco tenta manter os salários em dia e ainda sanar dívidas de 2017. O clube deve dezembro, parte do 13º e das férias do ano anterior. Apesar de todo o esforço, o clube não conseguiu evitar a saída do meia Wagner. O jogador entrou na Justiça alegando atrasos nos direitos de imagem e no FGTS. Adriano Mendes confirmou que ainda existem muitas pendências de 2017. Entretanto culpa a demora na aprovação do empréstimo de R$ 31 milhões, que culminou com atrasos recentes.

“A gente pagou uma parte do Wagner do ano passado. O FGTS teve um atraso recente sim, mas tudo já está encaminhado com a Caixa Econômica para o pagamento parcelado. Todos os salários desse ano o Wagner recebeu. Ele e todos. Direitos de Imagem a maioria está em dia. Uma parte dos maiores valores a gente atrasou por conta da demora na aprovação do empréstimo”.

O dirigente respeitou o direito do jogador, mas afirmou que o Vasco vai recorrer da decisão judicial. Sobre o risco de novos jogadores entrarem na Justiça, Adriano Mendes rechaçou qualquer possibilidade.

“Respeito o direito do jogador de correr atrás do que é dele, mas discordo de ter sido feito dessa forma, nesse momento e com essas alegações. Muitas delas serão questionadas na justiça. Não vejo risco em ter outros jogadores nessa situação. Quem entrar não terá respaldo jurídico. E não vejo no elenco, ninguém com essa intenção. Na verdade esse caso trouxe uma certa indignação. Ninguém concordou com que foi feito”.

Martin Silva

Além de Wagner, o Vasco também deve bastante ao Martin Silva, existindo um temor de que o goleiro possa chutar o balde e ir pelo mesmo caminho. Adriano tratou de tranquilizar os torcedores ao afirmar que boa parte da dívida já foi paga.

“Martin Silva tem uma conduta irrepreensível como atleta e como funcionário. O vejo como um líder. Nos momentos difíceis se coloca a frente do elenco. Boa parte do dinheiro da venda do Paulinho foi para pagar mais de 50% dos direitos de imagem em atraso com o Martin. Zero problema com ele”.

Centro de Treinamento e modernização de São Januário

A diretoria espera também deixar legados importantes na estrutura do Vasco. A construção de um Centro de Treinamento e a modernização de São Januário é um sonho de todos os vascaínos. Adriano Mendes revelou que essas questões estão sendo discutidas.

“Esses assuntos estão em pauta. Um projeto para o CT está sendo desenvolvido. Já vamos começar a conversar com investidores. A modernização de São Januário também está dentro desse contexto, envolvendo a prefeitura e investidores”.

Patrocínios

O tão sonhado patrocinador máster está perto de ser anunciado. De acordo com o vice de controladoria, as parcerias estão próximas de um desfecho positivo. A tendência é começar o ano de 2019, estampando a marca na parte mais nobre da camisa.

“Neste momento estamos em outro patamar de negociação, envolvendo porte, número e valor. Isso em comparação com os patrocínios atuais. A melhora é sensível e a escalada é grande em relação aos valores e patrocínios que a gente vai entregar. As negociações estão avançadas. Pode acontecer amanhã, porém o mais provável é iniciar 2019 com o patrocinador Master”.

Entendendo as despesas e a importância de se manter na Série A

Adriano Mendes é o responsável pelo planejamento financeiro e estratégico do Vasco. (Foto: Joel Silva | Esporte 24 Horas)

Devido à demora na aprovação do Conselho Deliberativo, o Vasco vai receber R$ 7 milhões a menos sobre o acordo inicial do empréstimo. O banco recalculou as taxas levando em consideração a política do clube. Os juros aumentaram de 0,96 para mais de 1,5% ao mês. Com isso o Vasco vai receber R$ 31 milhões, que basicamente serão usados para pagar salários até o final do ano. Entretanto, com a diminuição do valor, o pagamento de dezembro está comprometido. O Vasco possui uma folha salarial de R$ 7,6 milhões por mês. Todo o departamento de futebol, englobando atletas, comissão técnica e as categorias de base correspondem a R$ 5,7 a 6 milhões. O detalhe é que a folha diminuiu cerca de 700 mil, com as saídas de alguns jogadores. Além desse valor, o clube precisa arcar com acordos judiciais, que por mês oneram os cofres em R$ 600 mil.

Por mês, o Vasco arrecada cerca de R$ 3,5 milhões, levando em conta patrocínios, arrecadação com sócios e outras receitas menores. Portanto o planejamento para o ano que vem está totalmente ligado ao futuro do time em campo. Em caso de queda para a Série B, Adriano Mendes afirmou que não há comparação com qualquer outro rebaixamento, levando em consideração o aspecto financeiro.

“Será um baque muito grande. A gente herdou um contrato assinado, que ao contrário do anterior, não mantém a cota de TV por pelo menos um ano na Série B. Agora em caso de queda, o valor cai drasticamente. Praticamente zera. Então não há paralelo com outros rebaixamentos. Caso aconteça, esse será muito pior”.

Em caso de permanência na Séria A, o clube espera receber cerca de R$ 48 dos R$ 105 milhões (a diferença já está comprometida). Se o pior acontecer, o valor não deve chegar a R$ 10 milhões. Como todo gestor, Adriano Mendes pensa no pior, mas acredita que o Vasco escapa do rebaixamento.

“A gente tem um planejamento financeiro para qualquer eventualidade. É claro que a dor será maior, mas não podemos abaixar a cabeça. O Vasco merece que nós encaremos tudo o que vier de frente. Compartilho a ansiedade e a preocupação com o torcedor, mas estou confiante que sairemos dessa”.

Recado para o torcedor vascaíno

Ao final da entrevista, o vice de controladoria, Adriano Mendes, pediu para a palavra para mandar uma mensagem ao torcedor vascaíno.

“A maior vitória não é no campo. O Vasco não tem que ser forte a cada dez anos. O Vasco tem que ser o gigante que ele é e vencendo essa batalha, nós começamos isso. São esses números, essa forma, esse jogo no Conselho, pagamento de dívidas, que vai fazer o clube em 2020, 2021, ser financeiramente um dos seis clubes mais fortes do Brasil e em 2023, mantendo essa linha, sem dúvida vai ser um dos três mais fortes. É isso que o Vasco tem que ser. Sendo forte dentro e fora de campo. O vascaíno tem que compreender que essa é a maior torcida que ele tem que fazer nesses três anos”.

Adriano Mendes aproveitou para fazer um desabafo sobre todo o trabalho que está sendo feito no clube.

“Pode vir um conselho hostil. Que venha reportagens em momentos errados, com focos errados. A gente vai superar. O Vasco é maior que isso tudo. O torcedor não pode esquecer o tamanho do clube e o amor que a gente tem por ele. Tem gente aqui que vai conseguir superar tudo isso e peço que a torcida compre esse barulho. Ela pode entrar aqui e ver a seriedade das pessoas. A maioria não ganha nada a não ser a honra de sangrar pelo Vasco. É uma honra pra mim. O sufoco que eu passo aqui, minha família não compreende, meus amigos do trabalho não compreendem. Mas é uma honra e a gente vai superar isso”.

Os três legados para o clube

1- Deixar o clube equilibrado financeiramente, nos mesmo molde que foi feito no Flamengo. Que tenha uma dívida altamente decrescente, renegociada e com sobra de caixa das atividades do ano. A previsão é que em 2020, a gente consiga isso. A gente recebe, honra os compromissos e ainda sobra para investir. A partir disso as coisas vão melhorando.

2- Total profissionalização do clube em mais alto nível de excelência. O funcionário tem que ser tão bem remunerado e tão bem qualificado como em qualquer empresa aí fora.

3- Modernização da gestão. Dia primeiro de outubro a gente vai conseguir, depois de muita luta, implantar o sistema da TOTVS (Protheus). Sistema de gestão que integra todas as informações. As mais modernas empresas tem isso e a TOTVS é a melhor empresa brasileira nesse ramo. O papel vai desaparecer. A partir disso começa a ter a modernização de gestão.

Dirigente afirma que meta é revelar um Paulinho por ano

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