Geovane Maranhão sonha evoluir no futebol do Sudão

Não é novidade que os jogadores brasileiros estão cada vez mais espalhados pelo mundo. Porém, o Sudão, país africano, dificilmente passa pela cabeça de alguém como destino de algum atleta de futebol. Mas é onde se encontra Geovane Maranhão, ex-Vasco e Botafogo. Além dos gigantes cariocas, o jogador acumula passagens por Artsul, Duque de Caxias, Belenenses (Portugal), Resende, Madureira e Portuguesa-RJ. Atualmente com 29 anos, defende o Al-Hilal Omdurman.

Em entrevista ao Esporte 24 Horas, Geovane contou como surgiu a possibilidade de jogar no futebol do Sudão.

“Surgiu através de um empresário amigo meu e do treinador brasileiro Sérgio Farias, que na época veio junto para o Al-Hilal”, disse, acrescentando qual foi sua reação quando chegou a proposta de um país que tem pouca tradição no futebol:

“Eu fiquei surpreso, mas minha vontade sempre foi de vir e buscar novos desafios e, a partir daí, procurei buscar informações.” 

Vida no Sudão

O país passou por duas guerras civis (1955-1972 / 1983-2005), devido a questões regionais e religiosas. Meio milhão de pessoas morreram durante a primeira. Na segunda, aproximadamente dois milhões de civis mortos no sul. Em 2004, algumas ONGs estimaram que o Exército de Libertação dos Povos do Sudão (SPLAN) contava com 2.500 a 5.000 crianças em suas fileiras. Fome, doenças e mais de quatro milhões de refugiados e deslocados internos, são resultados da guerra. Em 2011, a parte do sul conseguiu a independência e, desde 2013, o Sudão do Sul, país mais novo do mundo, está em guerra.  Porém, o que mais chamou a atenção de Maranhão foi o intenso calor.

“Por incrível que pareça, não tive um choque tão grande. O país é tranquilo, não tem violência, só o que me assustou foi o calor; 45 graus na sombra (risos).”

Em relação ao idioma e a alimentação, o atleta também está se adaptando bem.

“Graças a Deus, não tive problemas. No início, a comissão técnica era toda brasileira, então isso me ajudou bastante. Hoje, entendo algumas palavras e dá para levar tranquilo. Em relação à comida, também não tive problemas.”

O jogador contou como é a sua rotina no país.

“Bom, aqui não têm muitas opções de lazer. Fico a maior parte do dia em casa, e como os

treinos só são à noite, sempre que dá, depois dos treinos, saio para jantar.” 

Futebol sudanês

Diferente do modo de vida, Geovane teve mais dificuldade para se adaptar ao futebol jogado no Sudão.

“No início foi um pouco complicado. O futebol é muita correria e choque o tempo todo. Aos poucos fui entendendo a maneira de jogar e me adaptei ao estilo de jogo.”

O atleta destacou que o estilo de jogo praticado no país é totalmente diferente do brasileiro.

“É totalmente diferente. Muitos times não tem um padrão tático e procuram se sobressair na força.”

Maranhão, originalmente, atua como meia ou ponta, porém, no Al-Hilal Omdurman, já jogou até como centroavante.

“Na maioria das partidas, sim, fui utilizado na minha real posição. E, algumas vezes, joguei de centroavante.”

Perguntado sobre o relacionamento entre torcida e jogadores, disse ser semelhante ao que acontece no Brasil.

“Eles apoiam bastante e são muito fanáticos, conhecem todos os jogadores. Mas quando tem que cobrar, também cobram igual no Brasil.”

O jogador revelou suas metas até o final da temporada.

“Manter a minha regularidade nos jogos e buscar o título junto com meus companheiros.”

Geovane vê as portas do país abertas e acredita que mais jogadores brasileiros chegarão ao Sudão em breve.

“O pessoal sempre pergunta sobre os jogadores brasileiros. Acredito que na próxima temporada possam vir mais.” 

Futebol brasileiro

Emprestado pelo Artisul ao Vasco, em 2009, ano em que a equipe de São Januário disputou pela primeira vez a Série B do Campeonato Brasileiro, o atleta entrou em campo apenas seis vezes com a camisa cruz-maltina. O jogador explicou o motivo das poucas oportunidades.

“O clube vinha num momento conturbado, onde a cobrança era enorme. Isto fez com que eu tivesse poucas oportunidades.”

Apesar do curto período no Gigante da Colina, o atleta guarda boas recordações da época vivida no clube.

“Sim, guardo boas recordações. É um clube que me fez amadurecer bastante como jogador.”

 

Geovane Maranhão durante treino do Botafogo

Geovane Maranhão teve breve passagem pelo Botafogo em 2016 (Foto: Vitor Silva | Botafogo)

No Botafogo, Geovane também não conseguiu ter sequência. Emprestado pelo Madureira, em 2016, fez apenas um jogo oficial pelo Glorioso. Maranhão destacou que a quantidade de jogadores para a posição era muito grande e que isso dificultava seu aproveitamento no time.

“O clube tinha muitos jogadores para a posição. Todos queriam um lugar no time e a concorrência era muito acirrada. Tive pouquíssimas chances.”

Apesar das poucas oportunidades, o atleta afirmou não ter mágoas de Dorival Júnior, seu técnico no Vasco, e Ricardo Gomes e Jair Ventura, que o treinaram no Botafogo.

Mesmo do Sudão, o jogador segue acompanhando o Brasileirão sempre que pode e acredita que a competição está bastante equilibrada.

”Vejo os jogos sempre que dá. Está meio que nivelado, nenhuma equipe conseguiu abrir uma vantagem na tabela.”

O jogador revelou não ter recebido nenhuma proposta para voltar ao Brasil e que, no momento, não pensa em retornar.

“Não recebi, mas tenho um carinho muito grande pelo Madureira e espero um dia voltar. A princípio, não pretendo retornar ao futebol brasileiro.”

A ideia de Maranhão é seguir no Sudão após o término de seu contrato com o Al-Hilal Omdurman.

“Pretendo continuar aqui. Já até recebi algumas sondagens, mas como está no final da temporada, estou focado em terminar bem. Ao final, a gente vê o que é melhor”, encerrou.

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